quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Rever trajetória de vida melhora autoestima
"A autoestima é a percepção que a pessoa tem de si mesma. Essa revisão de vida auxilia na autoaceitação de habilidades, características e limitações. Isso ajuda a desenvolver melhor a autopercepção. Ou seja, estar mais satisfeito com a própria vida"

O processo de reflexão sobre a vida é uma avaliação, uma análise que o indivíduo faz sobre seu curso de vida, um exercício cognitivo ao rever suas experiências e atitudes na vida.
Com esse exercício de reflexividade sobre a trajetória de vida, atribuímos significados importantes para eventos vivenciados, uma experiência de uma fase da vida, algo subjetivo, uma ação importante, um presente, uma conquista, etc... Toda nossa trajetória de vida é organizada baseada nos nossos propósitos e marcada pelos fatos sociais e *intersubjetivos das interações durante a vida.
Toda nossa reflexividade se revela em decurso das próprias ações no mundo durante a vida. O exercício da reflexão sobre a vida é um processo consciente e organizado sobre as vivências. A revisão de vida pode ser considerada como uma biografia de uma pessoa reconstruída retrospectivamente. Representa um conhecimento individual sobre a vida. Os relatos das vivências e experiências, no processo de revisão de vida, podem auxiliar as pessoas a lidarem e compreender melhor seus pensamentos, atitudes e sentimentos, resolução de problemas, reorganizar e reintegrar o que aborrece ou não a pessoa.
A revisão de vida acontece em diferentes momentos da vida. Três transições ocorreriam durante o ciclo da vida, suscitando a revisão de vida: início da idade adulta (17 a 22 anos); meia-idade (40 a 45 anos) e velhice (60 a 65 anos). A transição da meia-idade é considerada por muitos autores como a fase mais propícia e provável para que uma pessoa inicie sua revisão de vida, por ser um período marcado por mudanças nas prioridades, nas escolhas, nas metas de vida, e em assuntos externos da própria vida. A atividade de reflexividade da trajetória de vida é vista como um processo de compreensão da própria vida, e fazer um recuo para dentro de si e descobrir um significado para enfrentar as situações e desafios que ainda estão por vir.
Esse processo é uma atividade valiosa durante a vida e natural do ser humano, no sentido de ser relevante na construção, manutenção e transformação do self, ou da identidade de uma pessoa.Estudos e pesquisas sobre revisão de vida têm sido feitas no Brasil, sobretudo com pessoas idosas. Algumas experiências têm sido desenvolvidas, com resultados positivos e apontam para a necessidade de incrementar o esforço acadêmico para a produção de conhecimento sobre o assunto. Pessoas que realizam revisão de vida, participam de grupos terapêuticos ou oficinas que priorizam a interação social, a prática autobiográfica demonstram melhores resultados em desempenhos cognitivos, mostrando-se mais confiantes, mais esperançosos e melhoram a autoestima.
Isso porque a autoestima é a percepção que a pessoa tem de si mesma. Essa revisão de vida auxilia na autoaceitação de habilidades, características e limitações. Isso ajuda a desenvolver melhor a autopercepção. Ou seja, estar mais satisfeito com a própria vida.É importante ressaltar que ao fazer uma revisão de vida com um profissonal, esse deve ser especializado na área, com formação gerontológica, que tenha uma fundamentação técnica para que dê o suporte adequado e necessário ao paciente. A revisão de vida em diferentes idades pode ser um exercício para encontrar o verdadeiro sentido da vida. A sabedoria de cada um está em saber encontrar esse sentido, o tesouro que cada um carrega dentro de si, um processo de eterna construção e elaboração da história de vida.

*Intersubjetivo: que ocorre entre ou envolve consciências individuais (Fonte: Dicionário Houaiss)

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

"A coisa que engatinha pela casa"


A coisa que engatinha pela casa

por Luiz Felipe Pondé, para a Folha de S.Paulo

Lembro de uma coluna do Nelson Rodrigues, nos anos 60, na qual ele dizia que pior do que o marxismo, que "durará 15 minutos", era saber que em países da Escandinávia discutiam-se leis a favor das pessoas fazerem sexo em público, afinal, o direito ao prazer não deveria ter limites hipócritas.

Na realidade, o marxismo está durando uns cinco minutos a mais, agora na sua versão "anões bolivarianos e suas mulheres barbadas", que tem na figura do presidente hondurenho Zelaya a última tentativa de ampliar a trupe. Vale salientar que golpe de Estado (que tirou Zelaya do poder) é coisa feia (as oligarquias latino-americanas não são fáceis de engolir mesmo), mas ficar no poder pra sempre fazendo uso da versão tirânica da democracia ("el deseo del pueblo") é tão feio quanto.

Por falar em "circo", imagino o que os outros anões bolivarianos devem estar pensando agora, depois da vitória do Lugo (presidente do Paraguai) em cima do Brasil: "Pode ir pra cima do Brasil porque ele é um gigante frouxo".

O besteirol dos anos 60 pra cá aumentou muito, e agora muita gente acha que a verdadeira revolução está na posição sexual que você gosta na hora de transar. Claro, quase esqueci que a revolução também passa pelo tipo de animal que lhe apetece na cama. Não pensem que eu teria qualquer preconceito contra os seres humanos que "amam cães".

Ouvi dizer que, na Escandinávia (como sempre digo, desconfie de países onde a vida deu certo), um casal (ou algo parecido com o que se costumava chamar "homem e mulher") resolveu manter em segredo a identidade sexual da pequena coisa que engatinha pela casa (antes chamado de "filha ou filho") para que esta pequena coisa que engatinha pela casa possa "escolher seu gênero" quando crescer. Aliás, "gênero", na sua versão mais radical, significa que a humanidade não está divida na "díade macho-fêmea", mas sim que esta díade é construção ideológica.

Tal díade seria uma invenção, é claro, a serviço da opressão patriarcal por parte dos homens heterossexuais -acho que, nesse caso, as sacerdotisas de gênero incluem os negros e os índios heterossexuais como "bad guys". Há uma versão razoável dessa coisa de gênero que é iluminar os fatores culturais que compõem as identidades sexuais, mas estamos muito além do razoável aqui.

Imagine se o Estado desses países onde a vida deu certo resolver transformar a ideia idiota deste casal em lei e proibir aquilo que se chamava "pai e mãe" de dar carrinhos ou bonecas para aquilo que se chamava "filhos e filhas"? Já ouço os gritos das fascistas de gênero: cem chicotadas pra quem chamar aquilo que se chamava "filha" de "minha princesa"! Duzentas pra quem vibrar quando aquilo que se chamava "filho" transar pela primeira vez com aquilo que se chamava "mulher"! Já vejo a assistente social (ou seria "o assistente social"? Meu Deus, em qual letra deste texto estará escondida minha monstruosa limitação ideológica?) entrar nas casas investigando "os aspectos ideológicos" escondidos na cor da parede do quarto daquilo que se chamava de "filho ou filha" ou nos termos carinhosos utilizados por aquilo que se chamava "pai e mãe" para com sua pequena coisa que engatinha pela casa. É claro que os especialistas na "liberdade de gênero" produzirão alguma cartilha que será distribuída pelo Estado do país onde a vida deu certo.

O que viria nestas cartilhas? Sei lá, coisas brilhantes como quais brinquedos são ideologicamente seguros para serem dados para essas pequenas coisas que engatinham pela casa, quais palavras são "limpas" em termos de "liberdade de gênero" para serem usadas no café da manhã, quais historinhas seriam corretas para serem contadas na hora de dormir (neste caso específico, alguma onde aquilo que se chamava "mulher" engravida aquilo que se chamava "homem") ou quais sonhos seriam saudáveis de se ter na primeira infância.

Tudo bem, caras irmãs, alguns preconceitos são mesmo abomináveis. A teoria de gênero não é um absurdo em si, mas seu surgimento está misturado com o combate feminista, e sua militância é tão "científica" quanto a defesa de milagres pela igreja. Devemos, sim, combater a discriminação. Mas um besteirol como este de que a sexualidade seja "construída" pela ideologia, sem o aporte biológico, é tão idiota quanto achar que, se um dia um cometa bater na Terra, será por preconceito ideológico do universo contra nós.

domingo, 2 de agosto de 2009

Um bebê é abandonado...

Um bebê é abandonado, em um saco plástico, em meio ao lixo. O bebê tem sorte e alguém o encontra e a partir daí, ele torna-se um vitorioso por ter sobrevido a uma das primeiras adversidades da vida dele, aquela imposta pela mãe que, por razões que desconhecemos, escolheu dar a ele um destino mais difícil que da maioria dos outros bebês.

A notícia relata o peso, a altura, o local em que a criança foi encontrada, a compaixão despertada de imediato. E nessas situações, nunca faltam pessoas que desejam cuidar, prover àquilo que, sem sabermos porquê, a mãe dele não quis/pôde dar.

É difícil não julgar a mulher que abandona uma criatura tão indefesa à própria sorte. E vamos admitir que esse menininho teve sorte por ter sido encontrado a tempo. Mas talvez, esse não seja um momento de julgamentos, mas de reflexão. Reflexão sobre marginalização, carências, abandonos que se repetem há gerações, sobre a falta de apoio às mães que não podem criar seus filhos, sobre a depressão puerperal e outras psicoses, sobre a maldade, tão própria do ser humano.

Essa criança tem uma história anterior a este abandono que certamente não foi o primeiro pelo qual ela passou. Mas isso, apenas podemos imaginar. E não sei se a nossa imaginação chega longe o bastante.

De todo modo, olha que material interessante para repensar o momento de discussão da nossa disciplina Ciclo da Vida I! E também para as discussões do próximo tema, em que trateremos a pré-história da criança. A dica para essa semana é escrever, quem sabe uma redação, quem sabe um comentário aqui no blog, sobre essa notícia e sobre o que isso tem a ver com vocês, psicólogos! Inclusive para aqueles que já estão cursando o Ciclo da Vida II. O que pensam? Deixem-me saber.

Boa semana a todos!

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Gripe A


Não contávamos com essa parada, no entanto, existem momentos em que o real invade com tudo as nossas estruturas imaginárias.

Contávamos que nas próximas semanas continuaríamos cumprindo os planos de ensino e assistindo às aulas normalmente. Planejamos um calendário, os professores prepararam as aulas, se organizaram. Os alunos prepararam-se para um novo semestre.

Ainda assim, do mesmo modo que não temos a garantia que um farol vermelho vai parar o carro que cruza a rua, não temos garantia de que não seremos atingidos pela pandemia. Por isso, paramos por esses dias, até que a situação se acalme um pouco.

E o que podemos fazer em casa nesse período? Que tal trabalhar nos materiais já passados pelos professores? Que tal escrever as nossas impressões sobre as disciplinas, sobre os conteúdos? Que tal procurar entender de que forma a nossa profissão se insere numa situação como essa?

Vamos tentar responder às seguintes questões: O que é uma pandemia e como o psicólogo e outros profissionais da saúde podem agir em um momento como esse?

Assim, quem sabe, a gente sai da abstração literária e compreende melhor a prática. Pesquisem, leiam, perguntem! Mandem e-mails aos professores! Estamos de molho, mas não estamos de férias. Pensem nisso!

terça-feira, 28 de julho de 2009

Sobre o sentimento de infância


Dica de um blog que explora a questão da evolução do sentimento de infância. Vale a pena acessar e ver o que o autor fala sobre o legado do Renascimento ao reconhecimento da infância como fase específica do desenvolvimento.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

O trabalho da borboleta

Até a lagarta sair do casulo e transformar-se na borboleta passa por um árduo trabalho que tem uma razão de ser, um ritmo e uma cadência que precisam ser respeitados. Quando, diante da angústia do processo, intervimos tentando "ajudar", acabamos por acelerar um momento que não deveria ser acelerado. Essa borboleta nunca voará e sua morte é iminente.

O ciclo da vida humano funciona de forma similar. Esperamos que o ser humano passe por determinadas fases em determinados momentos. Nossa ansiedade pode atrapalhar um processo que tem por natureza a lentidão. Sabemos que o ser humano, entre todos os mamíferos, é o mais dependente e muitas vezes, não resistimos à vontade de apressar o momento da chegada até a independência.

Cada ser humano, sendo distinto do outro, possui, como a borboleta, um ritmo e cadência que lhes são peculiares. Por mais que, biológica e socialmente, esperamos que determinadas idades sejam acompanhadas por comportamentos e desenvolvimentos específicos, isso pode não acontecer.

Nas disciplinas Psicologia do Ciclo da Vida I e Psicologia do Ciclo da Vida II, vamos abordar os aspectos cognitivos, motores, afetivos e sociais do desenvolvimento do nascimento à morte. Entenderemos de que forma o ser humano se reconhece como ser único, separado dos outros, fazendo parte de um mundo comum.

Estudaremos os fenômenos do pensamento, a forma como ele se desenvolve e como, nos primeiros anos de vida, está atrelado ao desenvolvimento motor. Nos debruçaremos sobre a importância da afetividade, do amor e da dependência na vida de uma criança, de um adolescente e de um adulto, compreendendo que, em cada uma dessas fases, esse amor tem um significado diferente.

O ciclo da vida é um só. Mas acontece de formas diversas para cada indivíduo. Por mais que tenha sido dividido em duas disciplinas, para fins pedagógicos, é um processo, por isso os conteúdos das duas disciplinas serão postados no mesmo blog.

Caros alunos e futuros psicólogos, a partir de agora, vocês nunca devem deixar de estudar esse ciclo porque ele faz de nós quem nós somos, e nós fazemos dele o que ele é, num movimento eternamente dialético.

Um bom início de semestre a todos nós!